Depois de um mês completamente relapso em relação à leitura, criei vergonha na cara e comecei a ler minhas revistas. Da pilha que tenho, Bravo! foi a primeira. Não só por ser uma das minhas favoritas, mas porque uma das chamadas de capa da edição de outubro é sobre o filme Coco antes de Chanel, sobre o qual a gente já falou aqui.
Depois de muito desespero da nossa parte e muito confete da mídia em geral - especialmente de moda, claro - o longa já tem data de estreia no Brasil: outubro! Não sei ainda sobre o cronograma de BH, mas aviso, óóóbvio, assim que tiver notícias.
Voltando então à materia: é um texto bem interessante, que foca em um pouco bem polêmico da biografia de mme. Chanel. Ela, assim como grande parte dos franceses, foi adepta do nazismo, o que acabou lhe rendendo algumas retaliações depois da queda do regime. Escrito pela historiadora Mary Del Priore (que tem uma obra interessantíssima sobre a história do Brasil), o artigo é bem focado nisso e fala também sobre como esse aspecto foi solenemente ignorado no filme, o que acabou deixando-o mais pobre, do seu ponto de vista, já que apenas o lado heroico da mulher que revolucionou a moda foi mostrado.
Claro que falar sobre a Segunda Guerra, o holocausto e assuntos do gênero é um ponto mesmo nebuloso, principalmente para os países europeus, mas, exatamente por isso, a crítica da autora tem razão de ser, e fiquei pensando no tanto que a moda às vezes parece esvaziada e cheia de meandros para fortalecer a imagem de seus mitos.
Claro que falar sobre a Segunda Guerra, o holocausto e assuntos do gênero é um ponto mesmo nebuloso, principalmente para os países europeus, mas, exatamente por isso, a crítica da autora tem razão de ser, e fiquei pensando no tanto que a moda às vezes parece esvaziada e cheia de meandros para fortalecer a imagem de seus mitos.
Bom, calma. Tudo isso não chegou a despertar em mim uma desilusão antecipada, vai. Continuo querendo ver o filme - e muito! Mas confesso que acho a contradição bem mais interessante e que o cinema, muito frequentemente, acaba contribuindo para transformar pessoas reais em modelos de virtude que simplesmente não existem. Não acho que todos os filmes do mundo têm que ser um poço de complexidade, mas um pouquinho de realidade não faz mal à ninguém, né?
Um pequeno trecho da matéria:
"Chanel passou toda a ocupação no famoso Hotel Ritz, quartel-general dos nazistas em Paris e bem pertinho de sua loja, na rue Cambon. Já havia algum tempo que ela era simpática aos nazistas - um de seus ex-namorados, o cartunista Paul Iribe, era partidário de que uma estreita relação com os alemães podia ser benéfica à França. Antes da guerra, Chanel já se alinhava à direita e era descrita como alguém de ideias racistas. No Ritz, sua companhia permanente era o alemão Hans Gunther von Dincklage, um misto de playboy, oficial e espião enviado à França para preparar a invasão nazista. Spatz, ou pardal - como era chamado em referência ao pássaro que está em toda parte -, era 13 anos mais jovem do que ela. Nessa época, a estilista tentou se aproveitar do antissemitismo reinante para espoliar os sócios Pierre e Paul Wertheimer, judeus, que a ajudaram no início da carreira. Alta traição, na medida em que os Wertheimer eram seus parceiros no negócio de essências e responsáveis pelo sucesso do perfume Chanel n°5.
O resto, para quem tiver interesse, está aqui. Garanto que vale a pena. :)
** Ontem uma leitora ligou querendo saber onde poderia encontrar bolsas Chanel aqui em BH. Eu estava tão atordoada de coisas para fazer aqui no trabalho que nem me lembrei. Falha nossa... Mas já estou aqui corrigindo o erro! A marca é vendida na M&Guia, que fica na avenida Olegário Maciel, 1730, bem pertinho do Diamond Mall. O telefone da loja é (31) 3335-2266.




4 comentários:
Olá.... passando só p dizer que curti mtoo o blog de vc's, virei aqui com frequencia!!
Beijinhusss
puxa, que ótimo texto! parabéns para quem escreveu ;)
Ei, Gabriel! Obrigada pelo elogio!!!! :)
Erro grave não mostrar essa faceta da Chanel. Foram justamente suas escolhas que a fizeram ser o que ela é hoje no mundo da moda, não adianta querer esconder aspectos considerados "constrangedores" pela maioria. Feio.
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